#5.DR | Tempo (2016)





Oi gente, aqui é Tainá e a música acima se chama Time e é da banda inglesa Pink Floyd.


Eu preciso começar dizendo que conheci Pink Floyd quando tinha 18 anos. E como o tema de hoje é tempo, devo dizer que nisso já se passaram 10.
Foi amor a primeira vista e ouvida. Vista sim porque foi através do DVD Another Brick in the Wall. Toda aquela arte gráfica, os conceitos, a música... não tive como resistir e virei "fãzona".
Hoje, com os anos e maturidade que a vida me deu, não posso mais dizer que sou uma "fãzona", mas continuo apreciando imensamente o trabalho deles.

Diante disso, é escusado dizer que devo ter escutado a musica acima milhares e milhares de vezes, sem que essa conta apresente nenhum exagêro.

Antes de você continuar lendo peço que ouça a música; leia a letra (pode ser a tradução); e só então volte a ler.

Se você passou do primário deve ter visto que tenho 28 anos, e nesse ano faço 29; e ano que vem faço 30! O que me coloca entre os adultos, não mais jovens. 

Eu sempre fui uma pessoa madura e centrada para a minha idade. Nunca tive problema em ser ou parecer velha. A velhice nunca foi sinal para mim de algo ruim, pelo contrátio, uma das pessoas que eu mais amo na vida é meu avô (já falecido) que já conheci sendo velho. Também não só vaidosa ao ponto de temer as rugas e cabelos brancos - eles fazem parte da vida.

Mas de repente, descobri que estou na crise dos 30. Sim, e eu ainda tenho 28.

Isso é engraçado, não?

Nunca imaginei que isso fosse acontecer, mas está acontecendo. Agora mesmo.
E ao ouvir Time me deparei com 10 anos atrás de mim, e o que fiz? O que fiz desde então? 
Não é fácil confrontar seu eu de 18 com o de 28 anos. Porque você começa a sentir que não tem uma resposta digna para a pergunta, o que fiz desde então? O que fiz e venho fazendo da minha vida? E todos os meus sonhos, o que foi feito deles? Para onde minhas escolhas estão me levando?

Você percebe que realmente fez muitas coisas. Afinal, você esteve vivo todo esse tempo. Mas será que foram coisas boas? Coisas que valiam a pena? Coisas que você relmente queria ou que você escolheu se deixar levar?

Quando eu tinha 18 anos eu achava que tinha urgência em viver. Não poderia perder nenhuma experiência que se apresentasse a mim. Não é o que dizem? Os jovens tem de aproveitar a vida, viverem a liberdade. No entanto, creio firmemente que só hoje estou realmente apta a viver a liberdade. A liberdade plena de quem se conhece e sabe o que quer para si. De quem não precisa da aprovação de todo mundo, apenas das pessoas que ama. De quem aprendeu a renunciar um prazer para encontrar um bem.

E é também hoje que entendo o real valor do tempo. Como diz a música, quando se é jovem pensamos ter todo tempo do mundo, logo não há problema em matar o dia, em desperdiçar tempo.

E quanto tempo desperdiçamos! Me impreciono ao ollhar para a minha tragetória e ver que eu podia ter realizado mais. Hoje mesmo, quanto tempo ainda perco, quantas coisas maravilhosas eu deixo de realizar.

Vivemos numa cultura (e falo mais expecificamente do Brasil) em que nossa vida é orientada para o trabalho e depois para uma estimulação sensorial compensatória. Quero dizer que trabalhamos muito, temos uma vida difícil; e nas nossas folgas queremos ser compensados por isso com muita bebida, muita balada, muitas horas de video game, muitas horas de sono, muita comida, sem ninguém enchendo nosso saco... Compensações sensoriais. Estímulos. Mas que não nos acrescentam, não fazem de nós pessoas melhores. São momentos que quando olharmos para 10 anos atrás sentiremos que não construímos nada.

Quando alguém se pergunta o que fiz da minha juventude o que terá a dizer? Dormi muito, fiquei no Facebook, e fui para muitas baladas. E o que ficou de tudo isso? O que realmente foi realizado?

O que preenche uma vida realmente dependerá de cada um, dos nossos gostos e valores.
Quando pergunto isso a mim mesma vejo que as horas de sono, de comida, de balada, de internet se perderam no tempo e são apenas um registo vago.

O que ficou foram meus anos de escola, incluindo as coisas ruins; as tardes passadas com meus amigos queridos; livros que li; filmes que assiti; bandas que conheci; idas a praias, parques, viagens; cursos realizados; sonhos, muitos sonhos que realizei, que amadureci e que se perderam; mas principalmente ficaram pessoas. Foram as pessoas que compartilharam esses momentos que fizeram deles ocasiões especiais. Eu gosto de praia e de natureza de forma geral, mas a memória querida, guardada como parte da minha história, como algo que realizei de especial é estar na praia como meus amigos, diferentes amigos em diferentes momentos.

Não importa a sua idade há sempre tanto a realizar, tanta coisa ainda por fazer. E a menos que você seja um gênio que deixará uma obra que contribuirá para a história da humanidade (como Mozart, Shakespeare, Einstein, etc) os monumetos que você poderá construir são nos corações das pesosas que lhe cercam.

Então se você se sente em crise assim como eu, porque ao contrário das suas expectativas você não é um gênio, e agora vê que provavelmente não fará nada grandioso eu lhe digo que ame. Ame as pessoas que lhe cercam de uma maneira concreta. Passe tempo com elas. Façam coisas juntos. Faça algo de bom todos os dias e você sentirá que seu tempo não é perdido, que você está realizando algo.
Esse é um grande monumento a se deixar. Porque os monumentos requerem paciência, um tijolo de cada vez; persistência, seguir em frente; esperança, de ver o que se realizará apenas no futuro; tempo, para concretizar escolhas.

Um gesto bom no dia, e aquelas 24h não terão sido em vão. 
Já bem se vê que estou realmente ficando velha: começo a dar conselhos do alto das minhas três décadas vividas.  =]


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