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A prudência é uma virtude. E nisso não há o que discutir. É sempre bom ter cuidado, pensar bem antes de tomar decisões, ser cauteloso. Esse é o tipo de conselho que se ouve a vida toda, de todas as pessoas.
No entanto, a cada dia que passa temos mais e mais decisões a tomar; com mais e mais possibilidades. E é aqui que começa a angústia. Decisões são difíceis e somos requisitados a tomá-las a todo momento.
O despertador toca: levantar e se arrumar com calma? Ou mais cinco minutos de sono e se arrumar na correria? Ou ainda mais cinco e chegar um pouco atrasada?
Você senta à mesa: Café, leite, suco ou iogurte? Açúcar, adoçante ou puro? Pão branco ou integral? "Cuidar da saúde" ou tomar o seu café da manhã de sempre em paz?
Pegar o ônibus que passa primeiro e andar um pouco mais ou esperar um pouco e descer perto do destino?
Escutar calado ou abrir a boca e agüentar as consequências?
Fazer logo ou enrolar um pouco mais?
Discutir no Facebook ou deletar a conta de uma vez?
Dizer 'eu te amo' ou contar que amanhã será o dia mais adequado para fazer isso?
Ir em busca de um sonho ou ficar no conforto do conhecido?
Correr o risco da crítica ou a tranquilidade de nenhum elogio?
Celebrar um ano de vida ou lamentar a velhice que se aproxima?
Pensar no assunto ou fingir que nada aconteceu?
Ter um filho ou viajar por um mês?
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Poderíamos ficar aqui infinitamente.
Some-se às infinitas questões que enfrentamos cotidianamente o ambiente social em que vivemos, onde todos esperam ser super-homens. Não com capas e cuecas em cima da roupa, mas pessoas perfeitas e infalíveis, que nunca erram. A atitude comum de crer que todas as escolhas são sem volta, porque o caminho do perdão e do arrependimento parecem não ser mais possíveis. A expectativa de ser tudo ao mesmo tempo: rico, bonito, gente boa, famoso, etc.
É a imagem de sucesso do nosso tempo.
Assim, não é difícil ficar paralisado. Eu já fiquei, você já ficou, e ficaremos repetidas vezes. Porque leva muito tempo considerar tudo isso, e a vida não pára para que façamos isso. E mesmo depois de considerar todas as coisas, como ter certeza? Como saber que não vamos errar?
Bom, o que tenho a dizer é: corra!
Como diz a música: corra, não pare, não pense demais.
A vida é pedra de gelo ao sol.
Temos o hábito de pensar que sempre estaremos aqui, que sempre haverá mais tempo. Mas a vida é breve demais. E eu espero que a consciência disso lhe leve a agir. Concertar erros, se enganar, voltar atrás e corrigir enganos também fazem parte de uma vida bem vivida. Pois a vida é daquelas coisas que se aprende fazendo, vivendo.
Espero que você, que todos nós, encaremos a vida de frente. E sigamos destemidos como quem corre. Como se tivéssemos certeza, mesmo sem ter. Como se nunca fossemos cair, mesmo caindo. Como se víssemos a linha de chegada, mesmo sem ver.
Se você contempla uma bicicleta esperando ter a ciência do pedal para só então subir em uma, você nunca terá a maravilhosa sensação de finalmente ter conseguido ficar em cima dela.
Quando fui aprender a andar de bicicleta quase destruí a minha bicicleta e meus membros no processo, mas eu consegui! E ninguém poderia ter feito isso por mim. Só eu. E o engraçado é como a vida é parecida mesmo com andar de bicicleta. Porque se você andar muito devagar ela bambeia e cai, por isso é preciso correr, por velocidade. Às vezes, é preciso muito esforço (ao subir uma ladeira) e ás vezes é só relaxar (ao descê-la).
Acho sintomático que muita gente hoje em dia nunca tenha aprendido a andar de bicicleta. Mas sempre há tempo (não só para aprender a andar de bicicleta) mesmo que o tempo - e que o seu tempo - seja breve, como uma pedra de gelo ao sol.
Pois afinal quando se aprende a andar de bicicleta se aprende também a cair; a ter serenidade diante dos erros; a não desistir ante as dificuldades; a confiar em quem lhe apoia; a ignorar quem ri de você; a aproveitar as ladeiras (facilidades ou dificuldades da vida, dependendo de como você enxerga); e que fica muito melhor quando se estar a correr.
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