#7.DR - Bondade





Eu e o filmes de terror: uma longa e complexa história.
Via de regra as pessoas não gostam de filme de terror, elas tem medo. E esse foi o motivo de eu começar, lá pelos doze ou treze anos, a assistir esse gênero de filme. Como todo adolescente queria ser diferente, e também mostrar o meu valor. Amar filmes de "malassobro" (como diria vovó) me proporcionou isso. Afinal, não é todo mundo que assiste O Exorcista", de noite, no escuro, e vai dormir sozinho, de luz apagada num casarão antigo de interior (essa era minha casa na época).

Nessa época era em VHS que se via filmes. Foi o meio da minha adolescência que os DVDs se popularizaram. E assim, as idas as locadoras de filme aumentaram.
Eu via tanto filme de terror/suspense que chegou uma época que eu já tinha visto todos da locadora da minha cidade, o que devo dizer não era tanta coisa assim (sem excluir as produções orientais - que são muito mais assustadoras).

Foi mais ou menos nessa época que o propósito de me mostrar corajosa perdeu o sentido  para mim. Eu estava passando dessa fase. Diminui meu interesse por terror, embora ainda gostasse.

Há dois anos venho tendo a impressão que a indústria dos filmes de terror tem tentado se renovar. Não sei se é isso que os especialistas no assunto dizer. Se dizem o contrário, então é apenas a impressão equivocada de alguém que vê um interesse antigo ressurgir. Tenho redescoberto esse gênero; e foi com satisfação que sai às 1:00 da madrugada da sessão de cinema depois de assistir "Invocação do mal 2".

Isso porque descobri (também graças a direção incrível de James Wan) que o horror/terror tem a capacidade de fazer, o que a ficção científica também faz: nos levar tão longe da nossa própria realidade que ficamos próximos. Não tem nada melhor para enxergarmos algo do que colocarmos isso em contraste. Dar à figura um fundo contrastante, de tal modo que seja impossível não ver.
(Como essa taça branca no fundo preto)






Me explico melhor.

Monstros, fantasmas, territórios inóspitos, casas mal assombradas... não fazem parte do nosso dia-a-dia, da nossa vida. Justamente por isso monstros e fantasmas são um ótimo fundo para vermos coisas da nossa realidade. Pena é que , como tudo na vida, há uma desvantagem em de por as coisas em contraste, e é que você pode acabar evidenciando o fundo ao invés da figura, e ver só monstros e fantasmas quando havia muito mais para ver. (Como ver só uma taça ao invés de duas pessoas negras de perfil nesse fundo branco).

{olhe novamente a imagem acima}


Às vezes é preciso fantasmas e brinquedos malditos para enxergarmos o quanto é triste a situação de uma família pobre, e suas necessidades; quanta falta faz um pai; como é importante o apoio dos amigos; como é crucial que alguém acredite em nós; a grandeza do amor fraternal; que quando mais ninguém quiser estar ao seu lado sua mãe vai estar lá, e mesmo que ela não possa fazer muita coisa;  que o Mal existe, e se alimenta do mal que há em nós; e a lição mais bela de todas que tirei desse filme de terror é: por mais terrível que seja o mal que estamos enfrentando ele pode ser derrotado com a Verdade e o Amor.

Para eu me assustar é preciso muito. Afinal, tenho uma armadura que vem sendo construída há anos (com bravura e experiência). "Invocação do mal 2", embora assustador, não me deu medo. Pelo contrário, ele me encheu de esperança, pois fui lembrada que o mal sempre será vencido. E o meio de fazer isso é alimentar o amor que existem em nós e distribuí-lo a todas as pessoas. Em outras palavras, é ir onde abunda a maldade e superabundar em bondade, porque o bem SEMPRE vence o mal. Talvez não haja nada de novo no que eu disse, mas estou certa de que há muito de Verdade.


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