#8.DR - Confiança







" Não serei mais besta. De hoje em diante não confio mas em ninguém!"

Tenho certeza que todos já ouvimos essa frase. Ou mesmo já a dissemos uma vez na vida. E além das palavras, não é difícil sentir esse clima nos relacionamentos. ; relacionamentos de todos os tipos, homem e mulher, pais e filhos, aluno e professor, atendente e cliente, entre amigos...

Talvez já tenha alguém aí replicando "E não é para ser assim!? É tanta gente nos enganando e querendo nos passar para trás."
Ao meu questionamento imaginário, respondo: precisa mesmo ser assim?

A confiança só pode existir entre duas pessoas que minimamente se conhecem. Daí vem que primeiro precisamos querer conhecer a pessoa, e também permitir que a outra pessoa os conheça. Ao conhecermos alguém sabendo até quando está mentindo, sabemos suas motivações, do que é capaz e se pode haver de fato algum motivo de ela nos querer passar a perna. Só que infelizmente a maioria de nós chega a conclusões sem querer traçar um caminho de colher informações suficientes.

Partir do princípio de que todos somos uns escrotos transforma as relações pessoais em joguinhos, onde vence quem blefa melhor. E isso só faz deixar a vida cada vez mais solitária e nossos afetos cada vez menos autênticos.

Acredito que eu cheguei a um ponto da vida em que abandonei a ilusão pueril de que eu me basto. Não, eu estou bem longe de me bastar. Pelo contrário, assim como os anos vem marcando o meu rosto, marcou o meu corpo e marcou também as minhas ausências.

Eu preciso de gente.

E como diz o cantor, gente fina, elegante e sincera. Preciso de afetos duradouros, de relações cheias de verdade. Sem mentiras e dissimulações. Sem máscaras. Me assombra pensar que há tanta gente em busca disso, tantas pessoas em volta querendo a mesma coisa e não sabem. E nem podem saber porque não se permitem dar um passo à frente, em fazer diferente.

Vamos entrar em desalinho. Vamos respeitar a nós mesmos e parar de entrar em joguinhos os quais não queremos participar. Eu preciso de gente, não de gentinha. Eu quero afetos, mas apenas os sinceros.

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