Hoje é dia de finados. Dia de lembrar dos mortos. Dia de sentir saudade, de deixar aquele buraquinho vazio no nosso coração se fazer presente. Hoje prestamos honra a quem em vida fez algo por nós; pode ser um parente, um amigo ou apenas conhecido.
Hoje é, sim, um dia triste. Em que nos damos conta do quanto aquelas pessoas nos fazem falta, de quantos momentos especiais elas não estarão ao nosso lado. Hoje é um dia cheio de vazios. Dia de sentir falta da voz, do cheiro, do abraço. É o dia em que a falta se faz presente e as lagrimas rolam; e o coração aperta.
Hoje é o dia para lembrar dos que foram. De saber que há dias felizes e tristes; e que se a alegria uma hora acaba, a tristeza também termina por passar. Hoje é dia de se dar conta de quantos anos se foram; e de se perguntar quantos ainda virão.
Talvez alguém que esteja me lendo nunca tenha perdido ninguém. Talvez isso pareça demais. Talvez eu soe mórbida. Mas talvez hoje seja um dia assim mesmo. Ou pelo menos um dia que nos importamos menos com a opinião dos outros e mais com os nossos sentimentos.
Pode ser que o dia 02 de novembro lhe pareça o dia da saudade. No entanto, eu acho que essa é uma visão pela metade. Porque saudade é sempre passado, e o dia de hoje olha em duas direções: para trás e para frente. Porque quando a ausência se faz presente é um bom momento para olhar para o futuro.
Quanto tempo será que ainda nos resta?
Eu gostaria que, ao menos hoje, essa não fosse uma pergunta vazia e irrefletida. Quanto tempo será que ainda tenho na terra? Quanto tempo tenho com cada pessoa que amo?
Se for pouco, o que farei com esse tempo? Se for muito, o que farei com esse tempo?
O homem em todos os tempos e em todas as culturas se preocupou com a morte. Se preocupou e formulou hipóteses. (Mesmo os ateus tem as suas respostas). Eu tenho as minhas; e sei que a morte não é o fim. Ela é a porta pela qual se chega a um vida muito mais plena e feliz, a qual chamamos Céu.
Por isso, para mim, a morte é muito triste, mas ela não me assusta. Pensar que depois da morte prestarei contas da vida que levei não me dá medo. Esse é o tempero que coloco na hora que faço escolhas, que decido como empregar o meu tempo.
Na verdade, a morte é triste e feliz. Pois embora eu não possa mais conversar, beijar e abraçar pessoas queridas do meu coração eu tenho a esperança de que suas vidas foram justas, que seus sacrifícios e dores foram levadas em conta e que agora elas estão felizes; muito mais felizes do que foram no seu dia mais feliz aqui na terra. E que um dia eu estarei junto delas novamente.
P.S.: "Memento Mori" (os dizeres da imagem no início do texto) é uma frase em latim que quer dizer "Lembra-te que morrerás". É usada pelos cristãos, especialmente durante o mês de novembro, para refletir sobre a vida que têm levado e o que poderíam fazer para serem pessoas melhores.
"O tempo é nosso tesouro, o 'dinheiro' para comprarmos a eternidade." (São Josemaria Escrivá)
Comentários
Postar um comentário