Uma poesia de Gregório de Matos


Gregório de Matos: O Boca do Inferno | Estante Virtual Blog


Gregório de Matos foi um dos maiores poetas brasileiro. Ele na Bahia em 1633 e morreu no exílio em Pernambuco em 1696. Foi uma figura controversa, o que lhe rendeu o apelido de "boca do inferno" por não ter papas na língua, fazendo críticas mordazes a todos - ricos e pobres, desconhecidos e figuras importantes.

Até hoje a poesia de Gregório de Matos é estudada nas escolas e faculdades, em especial sua poesia satírica e erótica/lírica. Mas um outro lado de Gregório um tanto desconhecido é a da sua poesia religiosa. Nela, tratou sobre a angústia de viver entre o pecado e a esperança de salvação.

Nesse momento em que estamos vivendo - Semana Santa e Pandemia Mundial - lembrei-me muito desse poema e quis compartilhar com vocês. (Não estranhe que o título é enorme mesmo hehe).


A S. N. Crucificado estando o poeta na última hora de sua vida

Meu Deus, que estais pendente de um madeiro,
Em cuja lei protesto de viver,
Em cuja santa lei hei de morrer,
Animoso, constante, firme e inteiro:

Nesse lance, por ser o derradeiro,
Pois vejo a minha vida anoitecer;
É, meu Jesus, a hora de se ver
A brandura de um Pai, manso Cordeiro.

Mui grande é o vosso amor e o meu delito;
Porém pode ter fim todo o pecar,
E não o vosso amor que é infinito.

Esta razão me obriga a confiar,
Que, por mais que pequei, nesse conflito
Espero em vosso amor de me salvar.




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