Capítulo 1: Era uma vez uma princesa?



Era uma vez uma princesa... Bom, na verdade ela não era de fato princesa. Era bela, inteligente e meiga como uma princesa, mas ela não fazia parte da nobreza. O nome da moça de que falo é Estela. Ela vivia na pequena propriedade da família na fronteira do reino. Era uma região formada de pequenos reinos, ducados e condados onde todos viviam em paz.
Estela era a mais nova de 6 filhas, mas quando ela era criança conviveu apenas com uma das irmãs, pois era bem mais nova e todas as outras já haviam casado e indo morar com a família de seus maridos. O lugar onde vivia era muito bonito, mas não era perto de nada. Assim, via as irmãs só em ocasiões especiais.
Quando Estela tinha 12 anos seu pai caiu doente, e depois de uma noite em que teve uma alta febre, morreu. Ela, a mãe e a irmã passaram a viver da coleta de frutas no bosque e do pouco dinheiro que conseguia vendendo as flores do jardim na feira da cidade. Dois anos depois sua mãe, que cozinhava pratos maravilhosos, conseguiu emprego no castelo de um duque. Dona Verdana agora teria o que comer todos os dias, poderia vir para casa no domingo trazendo sobras de comida e ganharia quatro moedas de cobre por mês. Ah, e também uma bela ave no Natal, para fazer a ceia.
Dona Verdana ficou mais feliz ainda, porque tinha um coração sonhador e pensou: - Se alguns desses nobres virem um das minhas filhas solteiras, se encantará com elas. E quem sabe até a desposará!?
Mas não foi isso que aconteceu. Nos dias de grandes bailes o trabalho era intenso e as filhas iam ajudar a mãe nos afazeres. Mas o jovem Duque de Ascriolan, que já era senhor da sua casa, pois o pai e o avô tinham falecido, intencionava casar com uma moça de posses para aumentar o seu poder e quem sabe vir a se tornar rei. Sua mãe e avó eram vivas e partilhavam das mesmas esperanças. Tinham todos da família a consciência de sua extirpe e o abismo social que separava eles dos seus criados. De modo que eles nem chegaram a notar as moças de fato.
Mas, numa dessas festividades, um capitão de um exército real notou a beleza de Rosalinda. Depois de alguns meses de convivência, e da aprovação da família dele quanto a noiva, Rosalinda casou-se. E aqui devemos notar que ela, assim como a irmã, era belíssima e muito bem-educada. A única pena é que ela, de todas as irmãs, foi para o reino mais distante. De modo que Estela passava agora a maior parte dos seus dias só.
Talvez você esteja se perguntando como simples camponesas podem ser bem-educadas e terem atitude tão distinta. Essa educação veio do pai, que a recebeu do avô. Elas não sabiam, mas seu avô era príncipe, terceiro na linha de sucessão. E mesmo não sendo quem herdaria o trono, o rei não consentiu que ele se casasse com uma plebeia. Ele renunciou a todos os seus direitos, e recebeu autorização para levar apenas objetos pessoais. Como era objetos refinados e de valor, com a venda desses pode fazer a bela casa na qual a família vivia até hoje, que era muito bonita e confortável por sinal. O lugar afastado, obviamente, foi estratégia para fugir da falação das pessoas e a família poder viver em paz.
Como Estela nasceu quando os pais já tinham certa idade, não chegou a conhecer os avós. Dizem inclusive, que herdou a beleza da avó e a postura altiva do avô. Mas ela não sabia disso, pois todos julgavam aquele um assunto difícil e ninguém tocava nesse assunto.
A vida seguia simples e solitária para Estela, até que um dia, uma tia que morava próximo, mas que já era nas terras do reino vizinho ficou viúva. E a pretexto de não se sentir tão só, pedia para Estela ir lá três vezes por semana para cozinhar e limpar. Depois de cinco anos da morte do pai, as coisas pareciam se ajeitar. Agora ela comia melhor e até tinha ganhado três vestidos dessa tia. É verdade que eram velhos e fora de moda, e a tia os dera por ter engordado e jamais poder entrar neles de novo. Mas Estela não podia negar que gostava de ter agora mais opções de vestido e de estar bonita. De fato, Estela era tão delicada que só um olhar atento veria a puirdes do vestido ao invés de seu caimento na encantadora moça.


[Amanhã, às 20h, sai o capítulo 2]

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