Numa bela
manhã de verão, quando arrumava o vestido para cruzar o Riacho Azul viu na
outra margem o mensageiro do príncipe. Respirou fundo e seguiu o seu caminho
com a maior naturalidade que conseguiu. Novamente ele apresentava um ar
divertido no rosto, e Estela não sabia se isso era bom o ruim.
- Bom dia
moça! Você tem lindos pezinhos.
- Acho muito
indelicado da sua parte comentar sobre os pés de uma moça que não conhece!
- Mas eu a
conheço! Será que hoje me dignará a dizer seu nome?
- Não desejo
entrar em interlocução. A caso está perdido novamente?
- Não, passei
aqui já três vezes na esperança de vê-la. Finalmente hoje consegui. Meu nome é
Alfredo, muito prazer.
Foi
inevitável se sentir lisonjeada. Estela sorriu e desviou o olhar.
- Olha, eu
sei o que está se passando. Você tem medo de mim e isso a deixa extremamente
encantadora. Mas não precisa ter. Como você já sabe, meu nome é Alfredo, sou
mensageiro do príncipe Abelardo. A vi naquele dia por acaso, mas desde então
não consigo parar de pensar em você. Gostaria da sua permissão para fazer uso
desse caminho sempre que precisar.
- Ora,
pergunte ao príncipe, o caminho é dele e não meu.
Ambos riram.
- Por
favor... sabe que lhe peço isso porque desejo vê-la.
- Não
autorizo nem desautorizo. Como disse, a estrada não é minha. Meu nome é Estela e
preciso ir. Adeus!
Rodou mais
uma vez nos calcanhares e andou apressada e com as pernas bambas. Mais à frente, se escondeu atrás de uma árvore e viu que ele tinha acabado de dar meia volta,
ou seja, ficou observando ela enquanto andava. Estela suspirou, mais porque
andou afobadamente do que de apaixonada. Embora, sendo sincera consigo mesma
teve que admitir que era um belo rapaz, com um bom emprego, e ela já tinha
idade de casar (na próxima primavera faria 18 anos).
Nas próximas
vezes em que se viram a conversa foi rápida, mas o afeto entre ambos cada vez
crescia mais – ao menos era o que Estela pensava.
Alfredo
contava coisas da vida no palácio e aos poucos Estela foi confiando nele, até
que sem perceber havia contado tudo sobre si. Falou de Alfredo para a mãe e ela
ficou muito contente, pois o que a mãe mais desejava era casar sua filha
caçula, para ter uma velhice sossegada, sabendo que todas elas estavam bem.
Pois sendo cozinheira, poderia trabalhar até bem velhinha, e as quatro moedas
de cobre que era para o sustento de Estela poderiam ser guardadas para quando
ela não pudesse mais trabalhar.
Estela e
Alfredo agora se viam sempre, e o coração dela já acelerava só de ouvir o
riacho, pois sabia que na outra margem ela veria ele a esperá-la. Até que um
dia ele não veio mais. Foi pouco antes de começar o inverno, durante todo o
inverno ele não apareceu nenhuma só vez.
[Amanhã, às 20h, sai um novo capitulo]

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