Enquanto
Estela providenciava os preparativos para o seu aniversário e seu possível
noivado, Alfredo também tomava providências. Ou melhor dizendo, Abelardo agia.
Pois, bem já desconfiavas, caro leitor, que eles eram, na verdade, a mesma
pessoa.
De fato, ele
havia se perdido dos amigos durante uma caçada e encontrara Estela. Lhe
fascinou o fato de ela não saber quem ele era – um príncipe. Abelardo gostava
do melhor da vida na nobreza, e desfrutava sempre da companhia de belas moças,
uma vez que todas elas guardavam a secreta ambição de serem aquela que iria
tocar seu coração. Gostava especialmente das moças da baixa nobreza ou
plebeias, pois se passasse do ponto, qualquer boa quantia de dinheiro
resolveria a questão; diferentemente das moças de boa família, que poderiam
trazer contendas sobre o reino.
Para ele,
toda aquela relação com Estela não passava de um grande divertimento, como a
caça de um animal raro. Pois quanto mais ela resistia, mais ele se animava e se fazia encantador. Chegado as festividades do seu natalício, não pensou nela em
nenhum momento, exceto por um. Estava bebendo grandes canecos de cerveja com os rapazes enquanto o
bobo da corte contava notícias dos reinos vizinhos e fazia graça. Uma notícia em
especial chamou a atenção de Abelardo.
Corria boatos
que o conde de Reenconcha, que tinha suas terras na outra margem do Riacho
Azul, estava pensando em fazer um baile em celebração dos 18 anos de sua única
filha e assim apresentá-la a sociedade com o objetivo de encontrar pretendentes
e casá-la. Esse conde era famoso pela sua infelicidade. Passou a vida inteira
desejado herdeiros, e quando ele e sua esposa já eram velhos tiveram uma única
menina. A menina nasceu com a saúde muito frágil, e corriam boatos que tinha
até deformidades. A condessa ficou muito debilitada pela gravidez e pelo parto, o que a levou, em poucos meses, a falecer. O conde, com medo de perder também a filha, se
fechou no palácio e era visto em muito poucas ocasiões; já a menina, nunca foi
vista.
O condado de
Reenconcha era muito próspero, e quem casasse com a jovem condessa herdaria
tudo – bens, dinheiro e terras. Os olhos de Abelardo brilhavam. Não era incomum
que moças da nobreza que se vestissem de camponesas e andassem pelos campos. Ainda
mais uma moça que jamais tinha feito uma aparição pública oficial, e que
ninguém conhecia.
A mente de Abelardo foi dominada por um vendaval de pensamentos. Agora tudo faz sentindo - pensou. O que o fazia se sentir intrigado com Estela era na verdade, seu modos e jeitos, sua beleza e delicadeza, que jamais poderiam ser uma uma simples camponesa. Ele a enganara, mas ela o enganara de volta. Era todo esse tempo a condessa Josefina disfarçada!
Abelardo se
refestelou ainda mais nas comemorações. Não pretendia casar cedo, pois queria
aproveitar certas práticas que, uma vez casado, encontraria dificuldades. Mas ninguém
negaria que aquela era uma oportunidade de ouro. Mesmo que Josefina não aceitasse um pedido de casamento, e o conde de
Reenconcha ainda fizesse o baile de apresentação da filha, ele teria
precedência diante de todos os outros, pois tinham uma história juntos, e ele usaria todo o apresso que ela demonstrava para conseguir efetivar seus planos.
Abelardo
falou com o pai e com o conselheiro do reino, recebendo aprovação para seguir
com o que havia planejado - Um título de princesa por riqueza e terras, uma troca mais que justa. Foi com essa disposição que partiu para encontrar Estela
na outra margem do Riacho Azul.
[Amanhã, às 20h, sai um novo capítulo]

Comentários
Postar um comentário