Quando eu tinha 13/14 anos já me fazia essa pergunta. Existem pessoas que tem a vida muito estável, relações sólidas, e por isso, só chegam a se perguntar tal coisa perto dos 30 ou 40 anos. Para mim, essa é uma pergunta recorrente.
Eu nunca fui o tipo de pessoa sonhadora, nunca acreditei muito em sonhos. Sempre senti que não tinha tempo para isso, aprendi cedo que cabia só a mim agir em prol do meu futuro.
O que levei mais tempo para aprender foi que mesmo querendo fazer o melhor, nem sempre o fazemos. Pois escolhemos de acordo com o nosso conhecimento, possibilidades e meios de ação. A situação ideal não existe, logo a escolha ideal também não.
Um risco que se corre ao pensar os rumos da própria vida é ficar preso ao passado, pensando em todas as escolhas que você faria diferente. Pensamos que faríamos diferente porque já mudamos, já aprendemos e temos mais informações do que antes. Eu aprendi a não ficar presa no passado, e isso, por si só, já é um ganho enorme, porque nos liberta para escolhas pautadas no presente.
Não ter relações sólidas faz-nos estar atentos a tudo, pois sentimos que precisamos provar nosso valor a todo momento (virtudes, qualidades, importância, utilidade), e sempre consciente que você pode ser descartado a qualquer momento. Só nos últimos anos fui aprendendo o que é experimentar o poder das relações naturais, sem medos e sem reservas.
Venho me reconstruindo depois de longos anos muito difíceis. Consegui chegar a um ponto que sabia exatamente o que queria e o que precisava fazer para consegui-lo, mas de repente tudo mudou mais uma vez. E mais uma vez eu preciso me reconstruir, buscar novos rumos e novos meios.
Pode parecer que é difícil abrir mão de "tudo", mas não foi. Eu já precisei me reconstruir tantas vezes, já perdi "tudo" tantas vezes, e nunca foi por causa de motivos alegres. Era sempre sobre coisas frágeis que se perdiam no desenrolar da vida. Hoje, mais uma vez me pergunto "o que vou fazer da minha vida?", e tento encontrar a melhor resposta com as ferramentas que tenho. Mas pela primeira vez, todas as incertezas que essa pergunta carrega vêm acompanhadas de felicidade.
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