Mar Adentro - Intinerário V: Dulce Vita


Vamos para o nosso Intinerário V: Dulce Vita. Nesse mês de agosto faço 39 anos. Uma coisa engraçada sobre mim é que diferente das demais pessoas, os grandes marcos não são os anos redondos (10, 15, 20, 30 ou 40 anos), mas o ano que os antecede. Porque a partir do dia seguinte a fazer aniversário, eu já estou vivendo os meus 40 anos, e no dia em que eu completar 40, é já o fechamento desse ciclo.

Agora, estamos iniciando um novo Intinerário, o penúltimo desse projeto que se finaliza no final deste ano. Todos os temas trabalhados até agora não foram superados, mas acumulados ao longo desta viagem Mar Adentro adentro de mim mesma.

Desde a última vez que escrevi-lhe, tive que abrir mão de muitas coisas que eu queria muito para cuidar de mim mesma. É interessante que a maioria das coisas que almejamos é porque acreditamos que ao alcançarmos determinadas coisas conseguiremos ter uma vida melhor. Um certo emprego, uma titulação especial, uma posição social.... 

Não acho que almejar tais coisas seja inútil, supérfluo ou equivocado. No entanto, perseguir coisas que não conseguiremos ter, e seguir por esse caminho infinito apenas nos adoece. A busca de conforto e de status é uma busca que nunca para. E chega um momento em que tudo se esgota: o tempo, os recursos, a saúde... Ao deparar-me com a minha própria limitação, precisei realocar meu desejo, pois a mim já não era possível dar conta daquilo que eu mesma almejava.

Dulce Vita quer dizer "a doce vida". É um estilo de vida voltado para apreciar o que é simples e belo. É saber encontrar deleite num bom prato de comida, apreciar um momento sem pressa, ter contato com a natureza, cercar-se de beleza. Claro que isso não é possível na pobreza, mas também não é preciso muito dinheiro para tal.

Tomar um cafezinho com calma no fim de tarde num xícara favorita é algo que não previmos ter muito dinheiro para fazer. Ou é. Porque o aditivo mais luxuoso é ter este tempo disponível. Por outro lado, é preciso aceitar e desprender-se de assumir uma tarefa a mais, um projeto a mais que contribua para ganhar mais dinheiro, ou mais prestígio ou mais reconhecimento.

A reflexão deste Intinerário atual é sobre encontrar contentamento dentro da própria vida, ao invés de ficar em busca de mais e mais. E aqui falo de algo muito além do dinheiro, de ser mais reconhecida, mais necessária, mais prestigiadas. A Dulce Vita é aquela na qual você não é importante, e está tudo bem nisso.


Esse Intinerário durará até o final de novembro quando inicia-se o Advento, período do nosso último Intinerário.

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